No futebol em tempos de pandemia, os estádios estão vazios, sem torcedores, mas cada centímetro de arquibancada está lotado de história em suas entranhas. 

Para receber o Boca Juniors no jogo de volta das semifinais da CONMEBOL Libertadores, a Vila Belmiro se vestiu a caráter. Da cabeça aos pés, o traje foi a rica tradição do Santos Futebol Clube. Na parte superior do Retão, um dos setores laterais do estádio alvinegro, 19 faixas estampavam os rostos de ídolos eternos, como os bicampeões da América em 1962 e 1963. Pelé, ao lado de Zito, abria espaço para ídolos de outras gerações, como Serginho Chulapa, Leo e Neymar. 

O recado para os argentinos, seis vezes campeões da América, era claro: respeitem a história.

Em campo, o Santos defendeu o seu maior patrimônio com a mesma intensidade que o técnico Cuca esbanja à beira da linha lateral. Bastava um gol para classificar. Freneticamente, vieram três gols. O segundo e o terceiro, com Soteldo e Lucas e Braga, saíram em um intervalo de dois minutos, quando a etapa final mal havia começado. Com a histórica Vila como palco, o Peixe está de volta a uma final de Copa após nove anos.

Pela terceira vez, a Libertadores terá uma final 100% brasileira. O Palmeiras, melhor campanha da Fase de Grupos, será o adversário alvinegro no dia 30 de janeiro, às 17h (de Brasília), no Maracanã.
 
Para o tricampeão Santos, será a chance de se tornar o time brasileiro que mais vezes chegou à Glória Eterna. Um privilégio que nem todos podem ter.